Kano e Erron Black estavam em um largo galpão, conversando em frente a uma alta mesa. Sobre ela, sacos recheados e um mapa amassado. Vários containers e caixotes ocupavam o local, mas nenhum dos dois fazia ideia do que guardavam. As paredes, de ferro escuro, desempenhavam um bom trabalho no combate contra a luz advinda de fora, que se esgueirava por uma pequena fresta próxima ao teto. As lâmpadas funcionavam, mas em uma potência fraca.
O primeiro era um homem forte, e andava sem camisa. Branco, alto, possuía um cabelo crespo mal cuidado, e uma barba bagunçada, na cor castanho escuro. Apoiado por seu torso, um aparato luminoso na altura do peito, preso por cintos de couro. Calças militares, e apenas um olho no rosto. O outra, fora perdido e substituído por um a laser.
O segundo trajava vestes mais exóticas. Sobre roupas pretas, um colete de couro e um poncho desgastado. Dois cintos de munição presos ao tronco, e luvas escuras. Nas costas, um rifle de repetição, que era acompanhado por dois revólveres de prata no coldre de seu cinto. Uma máscara e um chapéu escondendo boa parte de seu rosto, revelando apenas seus olhos castanhos.
- Sessenta por cento. - Responde Black, apertando seu cinto.
Kano solta uma risada por impulso, enquanto é observado atentamente pelo pistoleiro, e se vira para Erron.
- Colega... Nem se você trouxesse o corpo de Sonya Blade fatiado em trinta daqueles frascos que guardam urina! - Afirma Kano, cerrando a sobrancelha restante. - Tá, talvez nesse caso sim... Mas, foda-se! Não é esse caso!
- É pegar ou largar. - Retruca o pistoleiro num tom ríspido, querendo encerrar a negociação o mais rápido possível.
- Já esqueceu de quem nós somos? A Black Dragon sempre encontra uma terceira opção...
Kano recua e Erron já leva as mãos para seus revólveres, preparando-se para qualquer surpresa desagradável. O mercenário se aproxima da porta dos fundos do galpão, e dá três batidas no metal da parede, antes de abrir a porta. Adentram três figuras conhecidas do pistoleiro, que mantém a pose de combate, não se deixando intimidar.
A primeira é uma mulher vestindo um traje totalmente roxo e botas pretas. Branca, com cabelos escuros e curtos, carregava duas espadas embainhadas nas costas, e lançava um olhar direto e combatente ao pistoleiro. Seu nome é Tasia.
Junto dela, Jarek, um homem forte, trajando uma armadura vermelha sobre vestes pretas. Branco, possuía cabelos de cor preta e um cavanhaque chamativo, e empunhava um grande machado; e No Face, uma figura bizarra com vestes escuras e um rosto embranquecido, sem nariz, boca ou orelhas, apenas com um visor vermelho substituindo os olhos. O homem carregava um lança-chamas, e adentra o galpão cuspindo pequenas labaredas para o alto.
- Quanto tempo, Erron... - Diz Jarek, num tom sarcástico.
- Vocês estavam do lado de fora todo esse tempo? Estou um pouco ofendido agora... - Alfineta Erron.
- Para garantir que você não iria embora novamente. - Responde Tasia com um tom ácido. - Pelo menos, não antes do necessário.
- E são vocês que iriam me impedir? Bom saber que ainda não perdeu o senso de humor, Tasia.
- Quer tirar a prova real? - Pergunta a mulher se aproximando de Erron.
- Chega! - Interrompe Kano, se pondo entre os dois. - Nós viemos aqui para negociar, não para combatê-lo.
- Mas, é disso que ele precisa! - Retruca Tasia, empurrando Kano. - Vai que ele fica entediado e foge de novo...
- Muito bom ouvir sua voz novamente, Tasia, mas você poderia se espelhar no nosso amigo esquentadinho ali e parar de encher o meu saco. - Responde Black, sacando um dos revólveres.
Kano ri e imediatamente pula na frente de Tasia, afastando-a de Erron, e acaba sinalizando para No Face se conter, antes de encarar o pistoleiro.
- Muito bem, você já deu seu show de patadas, mas vamos tratar de negócios. E o ponto é que essas quatro cabeças aqui discordam que você mereça uma fatia tão grande desse bolo. - Afirma Kano.
- Interessante... Mas, qual dessas cabeças roubou a mercadoria da Kahn? - Indaga Black.
Kano deixa escapar um riso, e esse é o único som que pode se escutar no galpão. Erron saca o outro revólver, mas não faz menção de apontar para alguém no momento. O ar que os cerca se torna pesado e gelado, como se ignorasse o jato de fogo que No Face havia lançado logo atrás. Tasia, por sua vez, lentamente aproxima sua mão direita das espadas.
- Não me importa o que vocês acham. Porra, vocês podem até me fazer um carinho, e do mesmo jeito eu vou sair com o dinheiro que eu acho que mereço. E agora, eu acho que mereço um pouco mais! Setenta por cento. - Afirma Erron, dando uma levantada no chapéu com o revólver.
- Colega... Você é um homem morto para o Black Dragon. Não se esforce para morrer literalmente. - Responde Kano.
- Erron Black é um homem morto e pronto. - Diz uma voz feminina.
Todos sacam suas armas e se viram para a direção da voz, uma parede com o número nove pintado em amarelo. Uma mancha vermelha começa a tomar conta da tinta, espalhando-se e se intensificando por toda a parede no decorrer dos segundos. Calmamente, o metal começa a ser corroído, num processo que parte do centro, abrindo uma passagem para o galpão.
Do buraco formado, surge uma mulher de cabelos vermelhos, olhos cinzas e vestes vermelhas. Usava uma máscara preta cobrindo a parte inferior do rosto, e se estendia até o colarinho. Possuía ombreiras e cotoveleiras, sobrepondo o pano primário, e usava botas altas na cor preta. Sua atenção é focada em Erron Black, que sente um pequeno desconforto ao passar da saliva pela garganta.
- Quanto tempo, Erron Black... - Diz Skarlet, enquanto saca uma adaga e se aproxima.
- Todo mundo diz a mesma coisa para você? - Pergunta Jarek.
Erron balança a cabeça, afirmando, enquanto não perde Skarlet de mira.
- A química se foi, meu doce. - Responde o pistoleiro.
- Meu desejo pelo seu sangue, não.
Skarlet parte para cima de Black, enquanto os outros na sala se afastam. Ela tenta dois golpes com sua adaga, mas o pistoleiro desvia e acerta sua cabeça com uma coronhada. Ele tenta contra golpear e a assassina bloqueia a investida, e o acerta com uma rápida rasteira. Erron cai sobre seu rifle, sentindo um forte impacto nas costas, porém o ignora e rola pelo chão, para distante de sua oponente.
Kano abre um sorriso oportuno e se vira para a caixa com a mercadoria que Black havia roubado, mas é surpreendido com um grande martelo arremessado em sua direção. Sem tempo de reação, o mercenário é atingido em cheio, no peito, e acaba voando com a arma pelo galpão, enquanto seus companheiros da Black Dragon voltam suas atenções para a direção de onde o martelo veio.
Pela parede derretida por Skarlet, entram mais quatro figuras. Mavado, um homem forte, branco, alto, com roupas escuras e uma longa capa preta, cabelos escuros e uma feição de poucos amigos. Reiko, musculoso, moreno, olhos brilhantes, usava uma espécie de moicano e uma armadura com espinhos, na cor vinho, que sobressaíam seu peitoral, ombros e braços, cintura e pernas. Hsu Hao, uma figura mais exótica, com a pele esverdeada, calças militares e um alto chapéu na cor verde escura, somados a um implante cibernético que substituía o coração, na forma de um aparato metálico que se estendia até seu braço, similar a uma gambiarra.
Detrás dos três, surge o semblante mais impactante. Vestindo um capacete de metal que revelava o rosto pútrido e o cabelo preso, seu peitoral esquerdo era puramente ossos. A figura não possuía um nariz, e toda a carne de seu corpo parecia morta. Trajava calças escuras e um medalhão de prata no centro de seu torso. Os olhos, muito claros, não revelavam os detalhes comuns. Seu nome era Havik, o líder da Red Dragon.
- É a porra de uma emboscada! - Exclama Tasia, pressionando com mais força a sua espada.
- Como se vocês não estivessem parados aqui esperando o carneiro de Natal. - Responde Mavado, retirando suas espadas de gancho, escondidas sob sua capa.
Sem pensar, Jarek investe para cima de Mavado, enquanto Tasia arremessa uma espada na direção de Havik, que desvia. No Face dispara uma língua de chamas sobre Hsu Hao, que se esconde atrás de um contêiner, e Reiko parte para buscar seu martelo lançado em Kano logo antes.
Erron dispara duas balas, mas Skarlet levanta uma pequena barreira de sangue para se defender. Quando o escudo cai, ela é surpreendida com um forte dropkick que explode em seu peito, lançando-a pelo galpão. A assassina cai do lado de Hsu Hao, que havia acabado de se esquivar de outro jato de fogo. O peito do mercenário começa a brilhar, e ele se volta para No Face com um forte raio partindo de seu aparato cibernético, que atinge o membro da Black Dragon em cheio, arremessando o pelas paredes.
Mavado, mais rápido, inferniza a vida de Jarek, que com muito esforço se defende com seu machado. O primeiro muda a estratégia, e acerta um forte chute na perna de seu inimigo, que o derruba de joelhos por um instante, o suficiente para finalmente superar seus bloqueios, e finca a espada de gancho na parte mais frágil de sua armadura. Num rápido impulso, ele puxa sua arma fincada com ímpeto, arremessando o homem em um dos contêineres.
Tasia tentava acertar Havik com a espada que não havia lançado, mas a criatura conseguia desviar de todas as suas investidas. Uma fumaça vermelha começava a sair da mão do homem, que a lança na direção do rosto da moça. O feitiço a intoxica e atordoa. Enquanto tossia, a mercenária da Black Dragon recebe um soco no estômago, um gancho a altura da têmpora, e uma cotovelada nas costas. A mulher cai e é atacada com um chute na barriga. O efeito passa, e ela consegue ser rápida para surpreender seu inimigo com uma rasteira. O líder da Red Dragon, irritado, puxa a perna de Tasia, que consegue se desvencilhar fincando a espada em seu braço.
O martelo disparado cai e junto com ele, cai Kano. Reiko pula com um único impulso pra cima do mercenário, que rola pelo chão imediatamente. Ao tocar o solo, o homem empunha o martelo, e no mesmo movimento desfere outro ataque, desviado novamente. O líder da Black Dragon não hesita, e lança uma faca na direção da perna de seu opoente, que acaba abrindo um pequeno corte. Reiko se desequilibra, Kano se levanta e num pulo sobre-humano, o ataca como uma bala de canhão, espremendo-o contra a parede.
Com Reiko fora de combate por uns instantes, Kano se vira para o resto do confronto. Ele avista Hsu Hao e Skarlet cercando Erron Black, o buraco na porta do galpão por onde No Face foi lançado, Jarek caído e Tasia com dificuldades contra Havik. Desgostoso com a situação, seu olho mecânico começa a emanar uma luz vermelha radiante, procurando por alguma distração, ou rota de fuga. Seu sensor nota uma fragilidade no teto do galpão, e sem hesitar, dispara seu raio laser no local.
- Acabou a diversão rapaziada! - Grita Kano.
Os escombros começam a cair, e todos cessam a porradaria com o susto. Com seu rápido reflexo, Erron nota um largo pedaço de metal despencando sobre si, mas é impossibilitado de fazer qualquer coisa a respeito quando Hsu Hao o agarra pelas costas.
- Nós não vamos a lugar algum, amigo! - Exclama Hao.
Black se encolhe, já prevendo o forte impacto, quando gotas vermelhas começam a cair sobre os dois, pintando o chão onde estavam. Hsu Hao afrouxa os braços por um instante, e é derrubado com um puxão, quase como um golpe de karatê. Erron aponta imediatamente seus revólveres em direção dele, e de Skarlet que estava em sua frente. A assassina havia erguido uma barreira de sangue, protegendo os três da queda dos escombros, e se esforçava para manter o feitiço funcional.
- Você é burro, Hsu Hao! Burro! Muito burro! - Grita Skarlet, quase como se estivesse presa a barreira.
- Nisso, eu concordo. Agora, se me deem licença, preciso retornar aos meus afazeres oficiais. - Diz Erron destravando o revólver apontado para Hsu Hao.
Black põe o dedo no gatilho quando é surpreendido com um forte impacto nas suas costas, arremessando-o pelo galpão. Um barulho de metal batendo em metal, gerado pela pancada que Reiko o acerta em cheio. Caindo no chão, o pistoleiro mal sente sua coluna, mas instintivamente se arrasta pelo chão, tentando se apoiar na parede mais próxima. Ao se mexer, ele nota que seu rifle havia desmontado com o golpe e range os dentes de raiva.
Com muito esforço, ele consegue se levantar com o apoio da parede. Ao se virar, nota todos os membros da Red Dragon lhe cercando. Ao fundo, uma cortina de fogo e nenhum sinal de seus ex-companheiros. Sem hesitar, ele mira o revólver destravado na direção de Havik e dispara.
- Filho da puta! - Grita Erron.
A bala atravessa a carcaça pútrida da figura, mas não parece causar dano. Seus dentes, arreganhados pela falta de carne na região da boca, fazem um forte esforço para demonstrar seu sorriso. Mavado e Reiko, sem dificuldade alguma, riem por ele.
- A Black Dragon é podre até com os seus. - Ironiza Mavado.
- Ele não faz mais parte da Black Dragon. - Responde Skarlet, puxando sua faca e se aproximando de Black.
Um líquido vermelho toma conta da mão da assassina, e se transporta para a sua faca. O choque entre o sangue e o metal é quente, gerando uma fumaça instantânea. Já toda coberta, a arma começa a crescer em posse de Skarlet, e quando o líquido deixava o prateado da faca a mostra, notava-se o fio da lâmina ainda mais afiado.
O sangue se dissipa, e a faca de bolso se revela uma lâmina de tamanho descomunal. Num movimento, ela a finca no ombro de Erron com força, atravessando a parede do galpão, prendendo-o. O impacto é ardente. O pistoleiro sente seu grito explodir dentro de seu peito, mas concentra toda sua força para segurá-lo. O calor desce do ponto do golpe para o resto do braço, e depois para o outro lado do corpo.
Black tenta manter a compostura, e fixa um olhar raivoso em Skarlet. Mavado e Reiko se viram e começam a deixar o galpão. Havik se aproxima da assassina, enquanto Hsu Hao tirava sarro da cara de seu inimigo capturado.
- Ele é todo seu, Skarlet. - Afirma Havik, disparando uma fumaça escura na mão livre de Erron, desarmando-o.
Havik vira as costas e se põe a andar do galpão, deixando Hsu Hao e Skarlet com o refém. O sangue de Black começa a ferver dentro de si, e o suor a descer frio. Com um lado do corpo preso a parede, não havia nem a possibilidade dele se esforçar para pegar outra arma, e isso o incomodava demais.
- Ele disse todo dela. - Diz Erron, voltando-se para Hsu Hao. - O que esse comunista anêmico está fazendo aqui?
- Não vou perder a sua morte, amigo.
- Calem-se, crianças! - Reclama Skarlet. - Você pagará por tudo o que fez comigo, Erron Black!
- Sempre imaginei que você fosse de cobrar a vista mesmo. - Ironiza o pistoleiro.
Skarlet cerra as sobrancelhas e os punhos, e acerta um forte cruzado no rosto de Black. O golpe é recebido com naturalidade, uma risada escapa dos pulmões do homem. O fervor no braço já nem o incomoda mais, conseguira uma última lasca de provocação sobre a mulher.
- Pense nisso como a reparação de um erro. Hoje você paga por sua traição a Shao Kahn!
- Kitana me pagou mais. Sou leal a ela.
- Estou vendo aonde a tua lealdade à Kitana lhe trouxe... - Responde a assassina, fazendo um movimento suave com as mãos.
O sangue derramado da ferida de Erron Black começa a se lançar ao ar, flutuando em direção do movimento de Skarlet. O líquido encosta na sua pele, e o contato gera ondas de prazer e saciamento, que a faz abrir um sorriso recompensado. Hsu Hao observa a cena com certa estranheza, um pouco temente do poder de sua então aliada.
- De bom grado não é mais gostoso? - Pergunta Erron com uma risada cansada.
- Você nunca me entregaria de graça.
- Nem fodendo mesmo!
Skarlet abre ainda mais o seu sorriso.
- Você nunca foi de me saciar mesmo. - Ironiza a assassina.
- Chega! - Exclama uma voz potente.
Skarlet e Hsu Hao se viram assustados para a direção da voz, e Erron, desgastado com a perda de sangue, não pode fazer muito além de mirar sua vista. De onde havia a cortina de fogo deixada por No Face, uma enorme figura andava calmamente até os três.
Com uma tonalidade azul clara na pele, seus músculos possuíam tatuagens que brilhavam em um amarelo bem fraco. Ombreiras de ouro e um cinto que guardava sua Tecpatl, somados a um capacete similar ao de Huitzilopochtli, Deus da Guerra e do Sol na mitologia asteca. Seus olhos não possuíam pupilas, emanavam um azul quase incandescente. Tão imponente quanto sua composição física e postura, era sua macuahitl, uma espada que se assemelhava a um porrete afiado, capaz de decapitar um cavalo com um movimento somente.
- Não resistam. Tenho ordens de Kitana Kahn para levá-los a julgamento. - Afirma Kotal, empunhando sua espada.
- Kahn só há um, e seu nome não é Kitana! - Retruca Skarlet, posicionando-se para combate.
- Você será punida como ele.
Skarlet avança em direção de Kotal que a tenta acertar com a Macuahitl. Ela desvia com um rolamento, e acerta um chute na parte posterior de sua perna, e outro seguido em suas costas. O General ignora os golpes e se vira, imediatamente, com o cotovelo erguido, acertando em cheio a cabeça da assassina.
O golpe a atordoa bastante, e mesmo tentando relutar, a mulher não consegue se manter de pé. Kotal aproveita e a acerta com um forte chute, arremessando-a pelo galpão. Hsu Hao aproveita a distração do guerreiro, e seu peito começa a brilhar. Erron nota e, mesmo enfraquecido, intervém:
- General! Cuidado!
Kotal se vira para Hsu Hao, e numa fração de segundo coloca sua espada em sua frente, tentando se proteger do raio. O choque do ataque sobre a Macuahitl explode em luz, cegando todos por instantes. Quando todos recobram o sentido, o membro da Red Dragon se depara com o General de Outworld em pé, imóvel, com sua arma intacta.
Ao perceber que saiu ileso, o Osh-Tekk avança contra Hsu Hao, e o atravessa com sua espada, o erguendo como se não fosse nada. As diversas lâminas escorregam por dentro do corpo do homem, rasgando seus órgãos, cortando sua alma.
Skarlet lança uma corda de sangue na lâmina fincada em Erron Black, e a puxa com um movimento, derrubando o pistoleiro. Em posse de uma arma, acerta um corte nas costas de Kotal, fazendo-o derrubar a Macuahitl, e Hsu Hao junto com ela. A assassina aproveita a situação, e tenta uma série de investidas sobre ele, que com muito esforço se defende.
Erron, já livre mas com um braço severamente danificado, consegue alcançar seu revólver com o outro braço e mira na direção dos dois. Com um ângulo péssimo, o pistoleiro é impedido de atirar, com medo de errar o disparo e ferir seu aliado.
- Kotal! Ela é minha! - Afirma Black, com a voz falhando no meio do grito.
Kotal rola para distante de Skarlet, e um disparo ecoa no galpão. A bala voa numa velocidade não usual, e atravessa a barriga da assassina com violência. Ela cai imediatamente no chão, lutando para segurar o ar que perdia. O general se vira para o pistoleiro, e com um aceno com a cabeça, aprova o ataque do companheiro.
Com a sensação de missão cumprida, ele se levanta e se aproxima de Hsu Hao, que ainda gemia de dor com a Macuahitl dentro de si. Sem misericórdia ou cerimônia, Kotal arranca a espada do corpo do homem com um puxão, e o levanta.
Hsu Hao bambeia, mal consegue ficar de pé, e recebe um forte chute de Kotal. O corpo explode até uma caixa, e cai de costas para ela. O Osh-Tekk corre com um rápido impulso, e acerta uma joelhada na cabeça de Hsu Hao. O crânio do homem se separa de seu corpo, levando consigo parte da espinha dorsal, e cai sobre a caixa. Ele ergue outra caixa e a deixa cair sobre a cabeça já morta do inimigo, esmagando-a.
Erron consegue se levantar finalmente, e se dirige até Skarlet, que remoía de dor no chão. A magia da assassina relutava contra a natureza do corpo, esforçando-se para impedir que o sangue saísse do buraco por onde saiu a bala. O pistoleiro aponta a arma para a cabeça da assassina, com pouco remorso correndo em seu peito.
- Mais uma vez, você sai fodida. - Ironiza Black.
- Vai se foder, Erron Black! - Exclama Skarlet com a força restante em seu pulmão.
Erron destrava o revólver, mas a mão de Kotal se interfere, segurando a arma.
- Não, Black. Kitana Kahn quer Skarlet como prisioneira.
- Justo você me impedindo de matar alguém? - Indaga Erron.
- Você não é imprudente desse jeito, companheiro. Não mais. - Responde Kotal, com um semblante irritado. - Não tente ser.
O pistoleiro fica sem palavras para confrontar seu aliado, e sem coragem de continuar o encarando. Ele se volta novamente para Skarlet, que sofria de dor no chão.
- Você também será julgado Erron. A Kahn não pode ter alguém que não se pode confiar do lado dela. - Afirma Kotal, levantando Skarlet no seu colo

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