A morte parece menos terrível quando se está cansado.
- Simone de Beuavoir
- Estou cansado de agir como sua babá! - Exclama Sam, dando um soco na mesa.
- Eu não te contratei porra! - Responde Violet, levantando-se da cadeira com um salto.
Os dois amigos se encaram com um olhar penetrante. O vermelho nas escleróticas de Sam contradizia o bater doído de seu coração. O peso de suas palavras quadriplica no curto caminho entre seu cérebro e sua língua. A partir do momento em que o som de suas falas toca no ouvido de Violet, uma sensação como um fino canivete descendo por seu pescoço, desestabilizando sua pressão sanguínea, acaba por desafinar sua voz, por receio da destruição que está causando a cada segundo.
A moça, por sua vez, estava em terra arrasada. O estresse acumulado dos últimos dias, somado com a obsessão recente em descobrir o jogo de Graham, vem devorando todo o seu tempo e esforço. A intromissão de Sam em sua pesquisa, e sua fala recheada de rancor apenas infla os ânimos de Dyxon. Seus lábios estremecem com o último grito, tanto quanto seu pulmão.
- Você não consegue enxergar que só vai conseguir desgraça com essa história?!
- Gente está morrendo, Sam! Nós temos que fazer alguma coisa!
- Você não tem que fazer nada! Isso é dever da polícia! - Esbraveja Sam, enrijecendo o queixo.
- E quem disse que é você quem diz o que eu devo ou não fazer? - Questiona Violet, empurrando Sam pelo peito.
- Deus disse quando eu me tornei a última pessoa que se importa contigo!
Um plano astral começa a separar as duas almas. Sam percebe tarde demais que fez uma péssima escolha com sua resposta. Violet se retrai. Todo o nervosismo de seus músculos dá lugar a um relaxamento forçado pelo impacto de um sentimento deplorável tal qual a decepção. Sem poder reagir de outra forma, acaba perdendo Sam de vista ao olhar pra baixo. Suas pernas bambeiam, como se o chão houvesse desaparecido e nessa fração de segundos seu corpo conseguira se ajustar e flutuar.
- Desculpe...
- Saia.
- Violet... Desculpe!
- Saia!
Sam se cala. A ciência de que sua intenção foi derrotada por seus instintos não apazigua a situação. Sua saliva começa a descer amarga, e sem ter noção acaba balançando a cabeça, em sinal de sim, como se estivesse concordando que a machucou. Após hesitar por alguns segundos, se põe pra fora do recinto com passos assustados.
- Violet...
- Não precisa se preocupar. Deus me disse que não preciso que ninguém se importe comigo.
Trilha Sonora:
Violet bate a porta e se derrama no chão. Seus olhos estão secos e a respiração pesada. O mundo para por um momento, com medo de que qualquer barulho possa irritar ainda mais a moça. Só se escuta os passos de Sam pelo corredor. A moça levanta a cabeça, e por uns segundos encara a maçaneta da cor prata. Sem muito pra pensar, retorna para sua cadeira com uma última baforada de ar nervosa, e se debruça nos papéis.
Havia cada vez mais documentos em sua mesa, de acordo com o progresso de suas pesquisas e as novas vítimas noticiadas. Junto dos papéis sobre os irmãos Deveraux, hoje Violet lia contratos e acordos firmados por Corey Taylor e Robert Butcher. As palavras estavam ali, e mesmo cerrando as sobrancelhas e forçando a vista, não conseguia extrair as informações necessárias.
Horas se passam, disfarçadas de minutos, e um bater na porta puxa Dyxon de volta para o mundo dos vivos. Ela guarda seus papéis, e dá uma leve mexida no cabelo antes de atender. O abrir da porta revela Hannah, num visual mais sofisticado que o da noite do show, trajando roupas totalmente pretas. A moça aparentava estar mais corada até.
- Bom dia, senhorita Dyxon. - Diz Hannah estendendo a mão.
- Bom dia... - Responde Violet, hesitando mas aceitando o cumprimento.
Hannah continua parada em frente à entrada da sala, com um sorriso estranhamente forçado mas sutil. Violet para por segundos tentando decifrar suas feições, como se a jovem fosse um enigma, até a convidar para entrar. LeNov aceita e tropeça, mas disfarça com uma jogada rápida ao sofá. Dyxon fecha a porta e vai para sua cadeira.
- Nada aconteceu, né? - Pergunta Violet, sentando-se.
- Não. O oficial McPherson também não notou nada de estranho.
- E isso é bom ou ruim? - Ironiza a moça.
- Espero que seja bom. - Brinca Hannah. - Eu vi Bridge lá fora também.
- É, ele é incansável. - Responde Violet espremendo o canto da boca. - Mas você veio aqui pra quê?
- Ah, queria conversar contigo. Achei que você precisava depois do que aconteceu. - Responde Hannah, com um tom menos animado. - Porque... Eu preciso.
Dyxon não responde a jovem imediatamente, prefere mastigar sua fala por alguns segundos antes de engolir. Com um leve desvio de olhar para seu velho relógio de pulso volta a se situar no espaço-tempo, era quase meio-dia. Contrariada com a decisão que ainda nem comunicou, balança a cabeça rapidamente e desliga seu computador antes de voltar a olhar para LeNov, que aguardava sua resposta sem alterar sua expressão.
- Almoçamos então.
Dentro de uma lanchonete simples, quadras de distância da sede da emissora, Violet e Hannah esperavam seus respectivos pedidos. O recinto possuía um piso xadrez, mas o resto de seu ambiente era de um tom avermelhado. Por ser hora de almoço, quase todas as mesas estavam ocupadas, e mais nervosos que o burburinho das conversas se intercalando, apenas os funcionários tentando se apressar para não irritar nenhum cliente.
Ao fundo do corredor onde as moças estavam, uma grande TV estava conectada no canal onde Dyxon trabalha, que transmitia uma reprise de "The Undead", chamando bastante a atenção dos mais jovens, incluindo Hannah, que de tempos em tempos desliga da conversa com Violet.
- Adoro a vibe maluca dessa série. Tá todo mundo fazendo coisa de zumbi, mas essa pegada mais leve refresca um pouco o gênero. - Diz Hannah, sem conseguir desviar os olhos da TV.
Violet olha assustada com a fala de Hannah, surpresa com algo. O aparelho estava às suas costas, mas ela não havia notado que a jovem havia parado de prestar atenção em sua fala, e se questiona o quanto das últimas coisas ditas ela escutara.
- Homem de Ferro 2 vai ser uma bosta. - Afirma Violet sem mudar a expressão de surpresa.
- O quê? - Questiona Hannah, impressionada com a fala da moça. - Não, não! Se seguir a fórmula do primeiro... O primeiro é muito bom! Por que você acha isso?
- Não acho, nem vi o primeiro. Só estou tentando te trazer de volta pro mundo dos vivos. - Reclama Violet, ao passo que o garçom as serve seus pedidos.
- Ah, desculpa. Eu gosto bastante do seriado do Cornell. - Responde LeNov pegando seu copo de suco.
- Eu havia lhe perguntado se foi o Lewi que pediu pra você vir falar comigo.
Hannah engasga com o suco, mas a vermelhidão de seu rosto se dá mais pela vergonha do que pela breve falta de ar. A jovem se recompõe, enquanto Violet a espera imóvel, como se estivesse jogando uma partida de pôquer, analisando a sua adversária. Ela devolve o copo pra mesa, já com pouca quantidade do líquido e tenta encarar a sua companheira de almoço.
- Foi. - Diz Hannah num tom envergonhado.
- Percebi. Você está usando roupas que ele me deu há doze anos.
Os olhos de Hannah chegam a saltar de sua cabeça, mas a fisiologia humana os puxa de volta. A garota imediatamente se joga na mesa, esticando as mãos até Violet, numa tentativa desmedida de se desculpar.
- Mil desculpas! Mil desculpas! Mil desculpas! Eu não fazia ideia que essas roupas eram suas! - Exclama a garota, desesperada pelo perdão de Violet.
- Fica tranquila, elas estavam há nove anos sem uso na casa dele. Nem servem mais em mim.
- Se você quiser eu já corro pra minha casa e as troco!
- Já falei, fique tranquila. Pode ficar com as roupas, não me incomoda em nada.
A garota respira aliviada com a aprovação de Violet, mais pelo fato de não ter entrado em conflito com alguém, do que propriamente ter machucado uma pessoa que não era próxima de si. Dyxon morde seu sanduíche, enquanto LeNov timidamente termina seu suco antes de continuarem a conversa.
- O que o Lewi te pediu? - Pergunta Violet após engolir o pedaço de sanduíche em sua boca.
- Pra ver como você estava.
- E por que ele não veio me ver?
- Ele disse que está muito ocupado e estressado com algumas transações. Tá sem tempo pra vir te ver.
- Não tem tempo nem pro pai dele. Fiquei sabendo que o Sr. Deveraux teve que ir pegar seus exames sozinho.
- Dá um desconto pro Lewi, ele tá passando por uma barra. - Pede Hannah, estendendo a mão para Violet.
- Se você continuar convivendo com ele verá que esse é o problema. Lewi LeBlanc precisa de descontos, mas não dá descontos pra ninguém. - Afirma Dyxon, recusando a mão da jovem.
Hannah entende que a negativa de Violet está direcionada a Lewi, e não a ela, mas não esconde o desgosto de seu aperto de mãos ter sido recusado. As duas seguem seu almoço silencioso, evitando até trocas de olhares. Conflitos desnecessários entre duas pessoas que nem se conhecem direito para se desgostar. Até o burburinho do restaurante diminui, como se a tensão criada pelas duas houvesse alterado o clima de todo o ambiente.
O silêncio só é quebrado quando a reprise de "The Undead" é interrompida por uma vinheta do plantão de notícias, chamando a atenção de todos no restaurante. Violet pula na cadeira, e se vira imediatamente para se deparar com um dos âncoras colegas seu no televisor.
- E o assassino em série conhecido como Red Cloth fez mais três vítimas fatais na última madrugada. O escritor Francis Shepard, sua esposa Marlene e seu filho Joseph foram encontrados já sem vida em uma residência abandonada. O repórter Erick Graham descobriu nesta manhã o paradeiro dos corpos e ajudou a polícia a encontra-los. Ele está neste momento no local do crime, onde muitos transeuntes e curiosos se aglomeram.
- Não é possível! - Grita Violet, assustando todos na lanchonete.
A edição corta para uma rua de uma área mais isolada da cidade, onde a aglomeração das pessoas interessadas no ocorrido esconde as humildes propriedades que povoam os arredores. Erick Graham suava frio, e não conseguia esconder o ranger do queixo. Ele olha para a multidão procurando por algo, até tirar um pequeno lenço de seu terno azul para secar seu rosto. Ao fundo da imagem, podia-se avistar as autoridades locais cumprindo o seu dever, retirando os corpos e abrindo investigação sobre o massacre. O jornalista, mesmo desconfortável, fecha os olhos por segundos até ouvir um choro desesperado vindo do meio do povo.
Tal choro vinha de um homem alto, com uma barba desleixada e cabelos pretos lisos e compridos. Sua face avermelhada escondia as poucas lágrimas que conseguiam descer de seus olhos. Ele trajava vestes bem casuais, quase como se tivesse acabado de acordar, e se aproxima de Graham. Com um impulso ele agarra o jornalista pelo terno, e, sem pensar duas vezes, Erick aproxima o microfone do rosto do rapaz.
- COMO PODE?! COMO PODE UM DEMÔNIO DESSES ESTRAGAR A VIDA DE UM AMIGO TÃO QUERIDO?! - Berra o homem, despejando altas quantidades de saliva sobre a face de Graham.
- Senhor, senhor! - Exclama Erick, tentando fazer o homem se acalmar, sem sucesso. - O senhor era amigo da família?
- Shepard era como um irmão pra mim! - Grita o homem num tom melodramático, balançando a cabeça incansavelmente. - Alguém tem que parar esse desgraçado!
O homem solta Graham num empurrão. A figura, além de sua bizarrice, era bem mais alta que o jornalista, e tal discrepância fica muito mais evidente após o desvencilhamento. Erick hesita por segundos sobre qual atitude seguir, mas rapidamente se recompõe e se vira para o câmera.
- Olhe, o clima aqui é de muita tristeza e revolta. Continuaremos aqui na cobertura, a espera de qualquer informação que consigamos desse assassino em série.
A edição corta novamente, dessa vez retornando com a reprise de "The Undead". Violet olha estática para a TV, sem conseguir prender as lágrimas que começavam a escorrer de seu rosto. Lentamente ela se volta para Hannah, também chocada com o que acabara de ver. Dyxon esfrega sua mão na sua cara com raiva, numa tentativa de secar seu rosto, que mais parecia uma agressão a si própria.
- Eu conhecia o Shepard! Filho da puta, eu conhecia o Shepard! Ele nunca fez mal a ninguém, não faz sentido isso! - Afirma Violet com raiva em seu olhar.
- É, eu conheço o cara da entrevista também. Fiquei bem triste por ele agora.
- Como assim? - Indaga Violet.
- Aquele cara berrando. Conheço ele da faculdade. Um dos professores chamou ele pra nos ajudar em um trabalho, ele é ator. - Explica Hannah.
A boca de Violet se abre sem que ela perceba, como se a fala da jovem houvesse trocado a raiva pela morte de um amigo por uma esperança de parar essa loucura. Rapidamente abre a bolsa e puxa um pequeno bloco de notas de capa verde, entregando-o na base da força para Hannah.
- Você pode me passar o contato dele? - Questiona Violet, tirando a caneta às pressas de sua bolsa.
- Posso... - Responde Hannah intrigada pelo súbito interesse da moça. - Você vai querer entrevistar ele também?
- Digamos que ele é crucial para aquela pesquisa que eu estou desenvolvendo.
Dentro de um cômodo branco, um homem olhava indeciso para sua gaveta. Não era tão alto, branco, e mesmo sua falta de vaidade não conseguia apagar a boa aparência que possuía. O local era um clássico consultório, com sua mesa que sustentava o computador e gavetas pra guardar as pastas. Havia aparelhos para exames mais direcionados, todos de alta eficácia, sendo novidades quentes em tal mercado.
Um bater na porta acorda o homem, que finalmente consegue olhar para outro lugar além das suas gavetas. Sem esperar o susto passar, ele fala:
- Pode entrar.
A porta de carvalho talhada se abre, e Violet adentra seu consultório com um vestido preto a altura de seu joelho. A moça possuía um olhar diferente e carregava várias pastas em sua mão. O homem se assusta com a imagem, mas, não se incomoda por encontrar uma mulher tão bonita. Ele se ajeita na cadeira, e com um aceno com as mãos, e um sorriso no rosto, oferece o assento a frente de sua mesa para ela.
- Boa tarde! A senhora seria?
- Meu nome é Violet Dyxon. Eu vim aqui pra conversar com o senhor sobre meu sogro.
- Olha... - Diz o homem um pouco confuso. - É realmente uma pena que você já esteja com alguém, mas sinto que não poderei lhe prover informação alguma. Você sabe, eu tenho que seguir algumas regras chatas.
- Então, é que meu sogro se preocupa demais com seu filho. Ele veio fazer uns exames há duas semanas, e pegou os resultados na semana passada... Mas, ainda não nos contou nada. - Explica Violet, num tom ponderado. - Temo que ele esteja com algo e não quer contar pra nós.
- Entendo, velhos são teimosos. Meu pai também era um pau no cu. - Afirma o médico.
Violet se assusta com o linguajar do homem, mas não consegue prender seu sorriso.
- Tecnicamente eu não poderia te dar informação nenhuma, mas quando uma mulher bonita lhe pede algo, você faz algo. - Diz o homem num tom tranquilo, como uma piada inofensiva. - Qual é o nome dele?
- Tobie LeBlanc.
O homem faz um aceno com a cabeça e puxa um papel para anotar o nome do pai de Lewi, entregando o papel logo após.
- Na recepção você entrega esse papel pra moça e pede a cópia do exame dele.
Violet olha confusa para o médico, que deixa escapar uma risada infantil.
- Eu sou péssimo com guardar coisas. Foi um prazer te conhecer.
O homem estende a mão pra Violet que cerra os lábios e ergue as sobrancelhas.
- Eu sinto muito, mas preciso falar com o senhor sobre algo mais sério. - Diz Violet colocando as pastas na mesa.
- Talvez eu retire a parte do "prazer" em te conhecer.
- Antes de tudo, o senhor é Mark Nalon, médico recém-formado na Universidade de Toronto. - Afirma Dyxon, antes de apontar para as pastas. - E esses papéis são relatórios, um pequeno dossiê que eu montei sobre a sua vida nessa última semana.
O médico fica boquiaberto com a fala de Violet, e puxa as pastas pra si no susto. Ele as abre, desajeitado e nervoso, e engole seco enquanto folheia os papéis com os olhos.
- Mas, o quê? Por que diabos?! - Questiona Nalon.
- Sei também que o senhor é um norte-americano, e veio pra cá praticamente a força, depois de uma grande lambança que aprontara pra família.
- Moça, eu gostaria de pedir que a senhora se retire! - Afirma o médico subindo o tom de sua voz.
- O senhor não vai querer que eu saia daqui porque eu sei tudo sobre o senhor. E se a redação onde trabalho souber do que eu sei, a sua carreira, que nem começou, terá ido por água abaixo.
Nalon abaixa a cabeça e cobre seus olhos com as mãos. Violet sentia um desconforto em seu estômago, mas lembrar do que passou no festival a mantinha focada em seu objetivo. Com requintes de fineza, existentes apenas para tentar provocar ainda mais o médico, ela puxa um pequeno papel de sua bolsa e põe na mesa.
- Peter Hear Nalon.
- Quem é esse? - Pergunta Mark, voltando a encarar Violet com sua face já avermelhada.
- Esse é o nome do filho que você teve com tua prima e não assumiu. É por conta dele que você fugiu pra cá.
- CALA A BOCA! - Exclama o médico dando um tapa na mesa.
Violet olha assustada para Nalon, mas logo realiza o perigo que poderia correr caso deixasse o doutor a afugentar, e fecha seu semblante para encara-lo olho no olho. Mark balança a sua cabeça assustado, e sua expressão raivosa dá lugar a uma mais amedrontada com sua própria reação.
- Perdão! Não foi pra você! - Afirma Mark erguendo as mãos. - Você não entenderia!
- Melhor assim.
- E o que você quer de mim?
- Eu vim te dar um presente e um aviso. Teu filho está aqui na cidade, a mãe dele e o pai que o criou trouxeram pra uma viagem. Estão no endereço do papel. - Diz Violet num tom sereno, levantando-se da cadeira com tapas para desamarrotar o vestido.
- E qual é o aviso?
- Que é melhor o senhor já começar a tomar o cantil que guarda na sua gaveta, e encher a cara pra evitar a dor de cabeça que terá caso não coopere comigo. - Afirma Dyxon, deixando a sala e fechando a porta.
Assim que a porta se fecha, os ombros de Nalon se derrubam, puxados por uma gravidade mais intensa que a terrestre. Ele pega o papel com o endereço e o encara por alguns segundos, enquanto uma lágrima começa a escorrer pelo seu rosto.
- Não podemos fazer isto. Ela é uma pessoa boa, nós somos os vilões da história.
O homem reluta um pouco, mas retira um pequeno aparelho de rádio de uma das gavetas e um cantil de prata de outra. Após analisar o aparato por segundos, ele o abre com ímpeto e o enfia na boca com raiva, esvaziando-o com grandes goles. Depois de já seco, ele arremessa o cantil longe e seca o rosto das gotas que escaparam, antes de ligar o rádio.
- Graham, na escuta?
- Sim. O que você quer?
- Tá na hora de você retribuir aquele favor lá.
- Tem certeza? Espera e pensa mais um pouco...
- Não, eu tenho certeza. - Responde Mark olhando para o papel. - Estou com um endereço aqui, queria que o Rashty fizesse uma visita...
A noite cai sobre Toronto. A ausência da luz solar embeleza ainda mais as luzes de um prédio de uma avenida pouco movimentada. O letreiro brilhava num tom roxo. A uma certa distância, estacionado em meio há vários carros de funcionários do hotel, um carro preto não possuía a mesma intenção que todos os outros automóveis ao seu redor.
Dentro dele, Tommy Cornell forçava as vistas atrás do volante. Ao seu lado, sua esposa, Sanzaki Kyosch, uma mulher de família oriental, e um penteado chanel colorido. Uma moça muito bela, que não estava tão envolvida com a história a sua volta, preferia ficar imersa na história do livro que lia. No banco de trás, Violet acompanhava junto do ex-lutador o movimento dos transeuntes.
- Será mesmo que era o Graham no festival? - Questiona Tommy.
- Você me contou uma história linda sobre confiar nos próprios instintos, confia nos meus. - Responde Violet.
- É que entre roteirizar uma série de TV e caçar assassinos em série há uma diferença bem grande.
- A gente podia inserir isso na próxima temporada. - Afirma Sanzaki num tom desinteressado, sem desgrudar os olhos do seu livro.
- Seria uma boa, mais fácil de encaixar a personagem da Violet. - Concorda Cornell.
- Você sabe que eu não sou atriz, né? - Pergunta Dyxon, genuinamente preocupada com as expectativas de seu novo aliado.
- Eu também não era. - Responde Tommy rindo.
- ALI! - Exclama Violet pulando no carro.
A moça aponta com o dedo tremendo para uma direção, e Cornell imediatamente começa a olhar para o local. Sanzaki por sua vez revira os olhos com a exaltação. Os dois avistam um homem com terno azul deixando o prédio do hotel com uma feição irritando, esbravejando aos ares. Ele puxa um pequeno rádio do bolso de sua calça e se isola um pouco antes de começar a chamar alguém.
- EU FALEI! - Exalta Dyxon.
- O Graham está mesmo envolvido nisso tudo... - Diz Cornell levando as mãos à cabeça.
- E o médico também. Conseguimos pegar eles! - Afirma a moça.
- Perfeito! Podemos ir embora? - Pergunta Kysoch.
- Sim. Tommy, dá o sinal pro Jeeves.
Tommy acena com a cabeça e liga o carro. Enquanto manobra o carro, o homem dá duas rápidas buzinadas e sai do local, na direção oposta onde estava Erick Graham. Do estacionamento sai também Marcos Jeeves em direção do jornalista, que acabara de encerrar a ligação pelo rádio.
- Hey! Você não é o cara de hoje cedo? - Pergunta Jeeves, chamando a atenção de Graham.
Em sua casa, Violet guarda uma faca no bolso de sua calça e engole seco. O perigo da situação era amedrontador, mas a vontade de pegar Erick era o fogo que descongelava seus ossos. A moça, trajada com roupas confortáveis e uma jaqueta jeans pra se proteger do frio da noite, respira fundo e abre a porta pra sair de casa quando se depara com LeBlanc, parado no corredor de seu apartamento, com uma cara de poucos amigos.
- Chega Violet! Você não vai mais se meter nessa história! - Exclama Lewi empurrando a moça e entrando na casa.
Violet se desvencilha de seu namorado e o encara com raiva. A troca de olhares mais amarga que os dois já tiveram na sua conturbada relação dura por segundos, mas parece uma eternidade. Todo o rancor entalado na garganta de ambos se desenha no caminho entre suas íris, quase como uma transmissão telepática. Mas, nenhum recua.
- Eu vou acabar com essa história! - Afirma Violet empurrando LeBlanc.
- Não! Você não vai! Ela que vai acabar com você! Já está acabando! - Grita Lewi.
- Desde que eu me formei, tive que engolir incontáveis matérias ridículas! Essa é a primeira chance que eu tenho de fazer algo certo! Evitar mortes! Punir os responsáveis!
- Você não é super-heroína! Você não tem que salvar ninguém! Vai acabar morrendo junto do idiota lá fora que tá te ajudando!
- Pelo menos eu consigo contar com alguém!
- Cadê o policial que estava te escoltando?! - Questiona LeBlanc.
- Falei pra ele que passaria a noite com meu namorado. Que precisava de privacidade.
Lewi arregala os olhos.
- Está vendo? Não dá pra contar com a polícia pra porra nenhuma! - Exclama a moça.
- E com você? Dá? Eu tô na beira do fracasso, a um passo da falência! Onde a minha namorada está?! Apoiando o amor da vida dela?! Não! Ela está tentando se suicidar!
- Ah, Lewi... - Diz Dyxon rangendo os dentes. - E quem que pode contar contigo?
- Minha família! Minha família sempre pôde!
- Para de ser besta! Teu pai está com câncer, caralho!
Lewi toma um soco no peito e bambeia pra trás. O pulmão, já prejudicado pelo vício em nicotina, começa a falhar, e o oxigênio precioso que respira começa a ficar preso dentro de si. Sua visão fica turva, fazendo com que Violet se torne três mulheres revoltadas com sua postura o enfrentando. Ele se apoia na parede, enquanto sua namorada, consumida pelo ódio, opta por nem pensar no que acabara de fazer.
- Isso é mentira! Tem que ser! Eu falei com ele ontem, disse que estava tudo bem!
- Ele mentiu pra ti. - Responde Violet sem hesitar. - Porque sabe que o seu filho só funciona quando é o centro do mundo. Eu estou com os exames se duvidar.
Os olhos de LeBlanc se enchem, enquanto, pela primeira vez, Violet se toca do que está ocorrendo em sua casa. O barulho da buzina de Tommy a relembra de seu objetivo. Ela se aproxima pra um abraço em seu namorado, mas, dessa vez, Lewi rejeita. Com lágrimas escorrendo por seu rosto ele a olha com certeza.
- Se você passar por essa porta, tudo entre nós estará acabado! - Afirma LeBlanc com a voz baqueada.
Violet balança a cabeça, dizendo que sim.
- Adeus, LeBlanc.
Violet então sai de sua casa, deixando Lewi aos prantos.
Em seu carro, Tommy esperava pela moça cantando a música tema de sua persona quando ainda lutador. Se o carro estivesse ligado, estaria andando com os toques nervosos de seu pé no acelerador. O medo congelava seu estômago, mas não era a primeira vez que Cornell se deparava com alguém que podia acabar com sua vida. O coração do homem estava pesado, mas a sensação era boa.
- Just close your eyes... - Cantarola Cornell.
Violet adentra o carro aos prantos, e imediatamente prende o cinto de segurança. Tommy se assusta com a repentina chegada da moça, mas já liga o carro antes de perguntar qualquer coisa pra ela.
- Aquele cara que entrou lá era quem?
- Meu ex...- Responde Violet num tom desanimado.
- Meus pêsames pela relação assassinada. Mas se essa for a única coisa assassinada esta noite, estaremos muito bem. - Brinca Cornell.
Na entrada de uma igreja simples, Mark Nalon cumprimentava um padre tão simples quanto.
- Fique longe do álcool, Nalon. É o melhor que você pode fazer.
- Você sabe que eu não vou conseguir padre português. - Responde Mark num tom sinceramente triste.
O padre abre um sorriso complacente e se despede do médico, adentrando de novo a igreja. Mark respira fundo e puxa o cantil do bolso de sua calça. Sabendo que a tentação seria tamanha, ele prefere olhar para a Lua, já que não conseguiria a beber, a cheirar, e ela não é tão viciante quanto as outras coisas que o cercam.
- Eu não vou conseguir.
Mark ergue o braço com o cantil, mas antes que consiga aproximar o objeto de sua boca, um forte braço o arremessa na parede. As costas do médico se chocam com os blocos da igreja, e quando ele percebe, a figura de um homem gigante com um pano vermelho enrolado na cabeça.
- Filho da puta! - Diz a figura. - Você acha que estamos brincando?
- Como assim?! - Questiona Nalon, tentando achar fôlego.
- Não tinha nenhum Nalon na porra daquele hotel!
- O quê? Mas a moça me deu a informação!
- Que moça?!
- Violet Dyxon! Violet Dyxon é o nome dela!
- Dyxon? Essa mulher trabalha com o Graham porra! - Reclama o assassino. - Não te passou por um segundo nessa cabeça de cachaça que ela estava tentando armar pra nós?
- Armar como caralho?!
O assassino puxa a faca de seu coldre e a coloca no pescoço de Nalon. O olhar revoltado da figura se saciava do medo que exalava do corpo do médico. Porém, lentamente, a aura assustada do homem foi dando lugar a outra coisa. Seus ombros se erguem, suas sobrancelhas se cerram, até as gotas de suor frio param de descer sobre seu rosto.
- Você não vai querer fazer isso. - Afirma Nalon num tom acertivo.
- Por que diabos eu não faria isso?!
- Porque no fim das contas, eu sou um aliado seu. Teu principal problema é a Dyxon, vamos resolver ele.
- Bem-vindo ao mundo Sherlock Holmes, por que não usou esse espírito de detetive mais cedo? - Ironiza o assassino.
- Só liga pra porra do Graham, caralho!
Rashty solta o médico e puxa o rádio do seu bolso. Enquanto Nalon se recompõe e recupera o fôlego, ele liga para o jornalista.
- Graham, onde você está?!
- Estou conversando com o Jeeves, por quê? - Pergunta ele num tom preocupado.
- A Dyxon sabe! Ela armou pra nós em cima do cachaceiro aqui!
- Como assim a Dyxon sabe?!
- Ela sabe caralho! Você sabe que ela sabe!
Graham para por alguns segundos, forçando a pouca paciência do assassino a esperar sua resposta.
- Filha da puta! Corre pra minha casa!
O carro de Cornell para em uma rua isolada. Haviam bem poucas casas na vizinhança, e essa ausência de humanidade esfria ainda mais o clima. Tommy e Violet se viram lentamente para uma casa azul, com uma pequena cerca de madeira e um jardim mal cuidado. A residência era simples, muito mais do que as vizinhas. Cornell estende a mão para Dyxon, que se surpreende com o gesto.
- Desculpe-me por te envolver nisso. - Diz Violet.
- Eu já morri uma vez moça, e continuei vivo. É uma sensação horrível. Não quero que aconteça contigo. - Afirma Tommy.
Os dois soltam o aperto e saem do carro. Tommy vai até o porta-malas e puxa um machado antigo, enquanto Violet observava os arredores, querendo confirmar se estavam sozinhos como parecia. Os dois então pulam a cerca da casa de Graham, e se direcionam a porta de madeira.
- Você sabe que isso é tudo ou nada, né? - Pergunta Cornell.
- O nada eu já tenho.
Tommy acerta um golpe certeiro na porta, que não era tão grossa, e retira o machado com dificuldades do objeto. Violet se distancia para dar mais espaço para ele, que com um forte chute termina de arrombar a entrada. Os dois se deparam com uma sala totalmente bagunçada e suja. Todo o ambiente possuía um tom azulado que contradizia a Teoria das Cores, deixando os invasores ainda mais nervosos do que calmos.
Cornell toma a frente e vai acendendo as luzes da casa com cuidado, enquanto Violet vasculha tudo o que vem pela frente. Não havia bagunça de roupas ou lixo, mas amontoados de papel que cobriam o chão e os móveis. Após iluminar todos os cômodos, e se certificar de que não havia ninguém no local, Tommy se reúne com a moça para ajudar ela em sua busca.
- Tem certeza que essa é a casa? Se a gente estiver vasculhando no endereço errado fodeu muito! - Exclama Cornell.
- É essa sim. Só não tenho certeza da última vez que ele veio aqui. - Responde Violet num tom razoavelmente seco.
- Ok, sinto-me mais tranquilo com isso. Mas, o que a gente está procurando exatamente?
- Qualquer coisa que prove a ligação dele com o assassino, ou com as vítimas.
- E ele tinha ligação com as vítimas? Graham parece um cara tão fechado. - Responde Tommy, enquanto vasculhava algumas gavetas.
- Os Deveraux deviam muita gente. - Diz Violet, interrompendo a busca por um segundo pra recuperar seu fôlego. - Talvez eles devessem algo pro Graham também. E o Corey Taylor sabia fazer inimigos mais do que ninguém.
- Se ele não tivesse tanto papel inútil... Caralho, quanto cartaz de gente desaparecida misturado com promoção de restaurante! - Reclama Cornell arremessando uma gaveta na parede de raiva. - E o tal do Shepard?
- Esse é o problema. Shepard era o maior pacifista que eu conheci, nunca fez mal a ninguém. - Diz Violet secando uma lágrima ainda presa em seu olho. - Não faz sentido isso.
- A vida não precisa fazer sentido. Ela só faz, a gente que busca o sentido nos feitos.
- Isso não alivia o peso no coração. - Responde Violet, olhando fixamente pra Cornell. - Precisamos parar isso. Precisamos saber o porquê disso.
- É só perguntar pra mim, poxa. - Ironiza Graham.
Os dois tomam um susto quando se viram para a entrada da casa e avistam Graham ao lado da figura do assassino. Tommy imediatamente pega o machado e parte pra cima dos dois com um golpe desmedido. O jornalista pula pra fora da casa, enquanto o outro apenas desvia do golpe. A arma fica presa na parede, permitindo o encapuzado a contra golpear.
Cornell toma uma pancada no peito e voa pela sala. Violet assustada puxa a sua faca e tenta partir pra cima, mas muito trêmula, tem seu braço segurado com facilidade. Ela encara o assassino pelos buracos no pano que revelavam seus olhos e não consegue esconder o desespero que a corroía por dentro. Ele a agarra pelo pescoço e a levanta, suspendendo-a no ar.
- Duas vezes é pedir muito pra morrer. - Brinca o assassino.
Enquanto o ar começa a sair rapidamente de seu pulmão, Violet não consegue pensar em nada além do arrependimento de ter envolvido Tommy nessa bagunça. Ter se posto nesse castigo não era nada perto da culpa de ter envolvido um homem inocente, que nada havia cometido de errado e que possuía uma família pra cuidar. Antes que a pressão em seu pescoço continuasse, Cornell se joga no assassino como uma lança, a salvando de suas garras.
Os três caem no chão, e Tommy sem pestanejar desfere vários socos no rosto da figura, enquanto Violet recuperava seu ar, sua vida. Graham adentra na casa de novo e acerta um chute desconjuntado na cara de Cornell, tirando-o de cima de seu companheiro, que aproveita o momento e quebra o braço do ex lutador em um único movimento.
Tommy grita de dor, enquanto Violet se arrastava pra perto. O assassino então acerta um chute fortíssimo em sua cabeça, quase nocauteando o homem de uma vez, antes de se virar para a moça.
- É esse aí que você chamou pra te proteger?
O assassino levanta a carcaça quase desfalecida de Cornell e a arremessa com tudo em direção da TV de Graham. O homem acaba atingindo a quina do aparelho com a cabeça, causando uma abertura que acaba jorrando sangue instantaneamente. Violet pula sobre o corpo de Tommy, mas a figura a puxa com força e a prende na parede, enquanto Erick se aproxima.
- Você quer explicações Dyxon? - Pergunta Graham encostando a faca da própria Violet em sua barriga. - A melhor explicação que a gente pode dar é que não precisamos de nenhuma. Não somos como você, não viemos de um berço de ouro com o pé na cidade do sucesso! - Afirma Erick, mudando entre várias caretas pra zombar da moça.
- Por favor... - Implora Violet chorando compulsivamente.
- Pessoas como nós têm que jogar sujo pra chegar em lugares que pessoas como você chegam só por ter nascido. Esse mundo é muito injusto, não acha Rashty?
- Injusto é eu ter que ficar escutando esse seu papo. - Reclama o assassino.
- Por favor! Não matem ele! Podem me matar, mas não matem ele! Eu imploro! - Exclama Violet, soluçando desesperada.
- Bom saber que você entendeu sua posição aqui. Você implora, e a gente decide se vocês vivem ou não. - Responde Graham, sem diminuir o tom de sarcasmo de sua voz.
- A gente podia matar o babaca do mesmo jeito que fizemos com os brasileiros.
- Ninguém se importa com aqueles três.
- POR FAVOR, EU IMPLORO! EU FAÇO TUDO O QUE QUISEREM! EU FICO CALADA, NÃO CONTO NADA PRA NINGUÉM! NÃO MATEM ELE! - Grita Violet, totalmente encharcada com seu próprio choro.
- Mortos não falam de qualquer jeito querida... Mas vocês não vão morrer, acho que já aprenderam a lição.
Inconscientemente, Violet balança a cabeça, concordando com a fala de Graham, enquanto os dois a soltam. Sem pestanejar, ela pula sobre o corpo de Cornell, e tenta estancar o sangramento.
- Sumam daqui e fechem o bico. Vocês só precisam fazer isso pra continuar vivendo as vidas patéticas de vocês.
Violet olha para Graham com medo, não apenas de toda a situação, mas com medo de que um olhar errado possa fazer o psicopata mudar de opinião quanto a sua misericórdia. Com dificuldades, a moça começa a puxar o corpo de Tommy para fora da casa, enquanto a dupla de assassinos desfruta da cena.
- Ah, quase me esqueci. Você queria saber o motivo pelo qual matamos quem matamos... Não há motivos, não importa. Só matamos. Mas, não esqueci do que você disse. Quando nós precisarmos, nós te ligaremos, e se você não atender... Nós teremos um motivo. - Afirma Graham com uma piscada com o olho direito.
Violet só consegue balançar a cabeça que sim e continuar puxando o corpo de Cornell para o carro, rumo ao hospital mais próximo, enquanto Graham fecha o resto da porta que sobrou.
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Muito bem, minha gente, essa é a segunda, e final, parte de The Eyes Behind the Camera. Muito gostoso de escrever, tava com saudade dessa interação, mas é um tanto trabalhoso, ainda mais pra um sedentário como este que vos fala.
Essa história acabou e alguns personagens sobreviveram. Qual é o critério que eu usei? Narrativa, puramente narrativa. Os que me fazia sentido matar, matei. Não quer dizer que outros personagens que sobreviveram mereciam sobreviver, mas que me fazia mais sentido matar eles em outra hora.
Só pra certificar aqui bonitinho, os que morreram, foda-se, mas todos os que sobreviveram já tem uma aparição garantida na próxima história. As inscrições pra próxima história serão abertas MUITO em breve, tipo menos de 24h desse post aqui. Qualquer um pode se inscrever, tendo o seu personagem sobrevivido ou não. E o jeito que o seu personagem vai aparecer na história depende unicamente do meu achismo.
É isso mesmo, eu sou um ditador. Pau no cu da democracia.
Adoraria feedback, mas ninguém dá feedback nessa porra. É essencial saber o que está bom, e o que eu preciso melhorar. Agradeço desde já a todos que se escreveram, e quem tiver alguma dúvida joga na roda, posta num comentário, ou envia um email. Eu não consigo sanar nenhuma dúvida por telepatia.
Só ler o Cantinho do Mistério pra confirmar isso.
Grato pela atenção, e espero que tenham gostado da leitura, da história e dos personagens.
Abraços.
Craldo, Aristo

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