De que adianta o amor ser a compensação da morte para quem vive no ódio?
De um corredor escuro, escuta-se passos apressados sobre um chão molhado. A luz de uma única lanterna, balançando na mão de seu dono, traz em relances partes do visual completo do local. Pela passagem estreita, um homem caminha com receio e nervosismo, temendo andar rápido demais, mas sem conseguir deixar de imaginar o perigo que poderia correr caso andasse devagar. As paredes, antes claras, foram banhadas com um líquido vermelho. O teto pouco importava, o inferno estava a sua frente, por detrás da cortina da escuridão.
O homem carregava em sua outra mão uma pequena câmera, gravando todo o terror que o escuro protegia de seus olhos, mas a luz lhe forçava a vivenciar. A cada passo, o homem sentia a escuridão se aquecendo, e um cheiro de carniça cada vez mais forte tomando conta do ambiente. Sem perceber, acaba trombando numa porta ao fim do corredor, e engole seco ao sentir que o que procurava deveria estar ao outro lado da porta.
- É isso.
O homem segura a maçaneta com a mão que segurava a lanterna, e respira fundo antes de abrir a porta. Mas, assim que o faz, percebe que não havia mais como voltar.
Sem soltar a maçaneta, o homem tateia a parede melecada, na esperança de encontrar um interruptor, e assim o faz. Ao acender das luzes, a cena mais terrível que já avistara na sua vida até então. O corpo de dois homens completamente mutilados, com seus restos mortais espalhados de qualquer jeito no quarto. Na parede oposta, uma mensagem escrita com sangue dizia: "Estamos todos condenados".
- MEU DEUS DO CÉU! - Grita o homem, enquanto cai de joelhos incrédulo, com lágrimas em seus olhos. - POR QUE EU?! POR QUE EU MEU DEUS?!!
O homem vira a câmera para si, e olha fixamente para a lente, com sua face totalmente avermelhada.
- VOCÊ NÃO SAIRÁ IMPUNE!!! A JUSTIÇA IRÁ TE ENCONTRAR, SEU ASSASSINO DESGRAÇADO!! EU IREI TE ENCONTRAR! - Exclama o homem, antes de uma pausa para recuperar o fôlego. - Erick Graham irá te encontrar!
Trilha Sonora:
Death Toll: The Eyes Behind the Camera (Parte 1 de 2)
A TV se desliga. Uma mulher arremessa o controle no sofá verde-musgo de seu pequeno escritório. Ela, branca, cabelos loiros, magra, possuía uma expressão inquieta. Não era alta, por isso precisa se esticar na ponta dos pés para pegar uma pasta de documentos sobre alguns armários suspensos. O recinto não era muito espaçoso, mas, os móveis eram bem distribuídos para uma boa circulação. As paredes, pintadas de um azul esverdeado, traziam os tons mais quentes de um ambiente bem simples.
A mulher, muito bonita, vestia um vestido preto, de cumprimento até os joelhos, e se senta a frente de sua mesa, vasculhando os documentos. Enquanto seus dedos folheiam os papéis, a porta de sua sala se abre, entrando um homem robusto, com seu cabelo castanho lambido em gel, e vestindo um suéter de cor cinza. Ele fecha a porta soltando alguns risos remanescentes de alguma piada que ouvira nos corredores do prédio e se senta no sofá. Muito a vontade, ainda cruza as pernas antes de falar com Violet:
- Todo mundo ainda tá falando do Graham.
- Eu não estou. - Responde Violet. - Quer dizer, não estava...
- Ok, senhora "diferentona", fingirei que não sei que você estava assistindo o vídeo de Graham na casa dos Deveraux pela centésima vez.
Violet respira fundo.
- Eu não estou com paciência, Sam. Se pudesse não desperdiçar meu tempo, eu ficaria grata.
- Olha como as coisas são... Quando briga com o namorado, eu tô aqui pra te dar um suporte. É só passar um fim de semana colorido com ele que esquece de tratar bem os amigos... - Provoca Sam
- Se eu pudesse, juntava você e ele num saco de lixo e arremessava no Rio Ottawa. - Responde Violet.
- Ok, não está mais aqui quem brincou... Quero nada contigo não, quem quer é o chefe.
- Puta merda... - Reclama a mulher, levando as mãos à cabeça. - Qual é a da vez?
- Ele me pediu pra te avisar que você não vai mais cobrir o Rock Night in Toronto.
- O QUÊ?! - Exclama Violet dando um tapa na mesa. - Eu estou escalada pra cobrir esse evento desde o ano passado! Que direito ele tem de me tirar um dia antes?!
- Ah, ele é o chefe, né? - Ironiza Sam.
A moça para por alguns segundos para se localizar, e Sam respeita seu tempo.
- Quem vai me substituir?
- Graham.
- NÃO! - Grita Violet, crescendo-se na cadeira. - Não é possível que isso esteja acontecendo!
- Rigal disse que seria bom pra ele. Aliviar um pouco do estresse do que aconteceu.
- Aliviar o caralho! Essa situação não te parece nada estranha, Sam? - Questiona Violet, levantando-se.
- Pra te falar a verdade, você me parece estranha.
- É, devo estar. Talvez eu esteja apenas assumindo o fracasso que sou. - Responde a mulher em um tom mais baixo.
Violet se contrai, e Sam percebe que algo aconteceu. Ele se levanta e dá um abraço em sua amiga, tentando conforta-la.
- Foi alguma coisa que o Lewi falou, não foi? O que foi dessa vez?
- Não quero falar sobre o Lewi. Eu honestamente cansei de falar sobre o Lewi.
Sam solta o abraço quando recebe uma notificação em seu celular. Violet aproveita para limpar as lágrimas que começavam a descer de seus olhos, enquanto seu amigo lê a mensagem que acabara de receber. Ele respira fundo e se dirige até a porta, enquanto ela organiza os documentos e guarda na gaveta de sua mesa.
- Corey Taylor já está com o pessoal da maquiagem. - Avisa Sam.
- É, essa o Graham não vai tomar, né? - Ironiza Violet.
- Não. - Responde Ditch, deixando a sala.
Violet puxa um pequeno espelho de sua bolsa, e com ele retoca a maquiagem que se manchou. Enquanto cuida do exterior de seu rosto, um incômodo em sua garganta apenas cresce. Sufocada, até o odor inexistente de sua base começa a lhe desagradar. Guarda os produtos em sua bolsa e foge da sala, como se alguém estivesse retirando seu oxigênio.
Nos claros corredores do prédio, mas ainda bastante enjoada, Violet passa batido por tudo e todos, com medo de que responder os cumprimentos faça que vômito se derrame em companhia das palavras. É uma corrida angustiante até o elevador, onde cada passo é uma vitória pessoal para a moça.
Ao atravessar as portas, Dyxon se sente em outra realidade, como se tivesse encontrado um lugar com a devida pressão atmosférica sobre seu corpo. O peso sobre seus ombros desaparece como um empurrão que a arremessa para as paredes. A maior sensação de vitória que alcançara no dia, potencializada pela sorte de ter pego o elevador sozinha.
No camarim, uma senhora cuidava da maquiagem de Corey Taylor. Ele, um homem mais maduro, possui em seu olhar a experiência de muitos anos dentro da indústria da música. Seu visual meio desajeitado combinava com sua barba por fazer, acabava criando uma imagem própria para o cantor, coisa a qual ele sabia ser fundamental para o reconhecimento dentro de um mercado tão competitivo e desleal.
- Tá bom, tá bom! - Reclama Corey, pedindo pra senhora parar. - Eu não preciso desse tanto de pó na minha cara!
- Senhor, eu apenas limpei o seu rosto.
- Já é mais do que o suficiente, muito obrigado. Onde será a entrevista?
- Estúdio nove. Só seguir reto nesse corredor.
- Prazer. - Diz Corey, deixando o camarim.
- Eu mereço... Esse povo da música é insuportável. - Resmunga a senhora.
Já no Estúdio Nove, Corey estava sentado, trocando mensagens em seu celular, enquanto esperava por Violet. O músico não conseguia esconder sua insatisfação, com toques nervosos na tela, ou batidas nervosas com o pé no chão. Após alguns minutos, a moça adentra o estúdio, cumprimentando todos os funcionários lá presentes com um simples aceno com as mãos.
Violet se depara com Corey inquieto na cadeira, a frente de uma greenscreen, e dá três tapas na nuca antes de o cumprimentar. A ciência do temperamento narcisista do vocalista, adquirida pela vivência com seu namorado, um ouvinte assumido, serve de aviso para a moça que mais incômodos complementariam seu dia. Ela se aproxima e se senta a uma cadeira próxima, com Taylor finalmente notando sua presença.
- Tempo não se recupera, minha filha. - Reclama o vocalista.
- E gentileza é gratuita. - Retruca Violet.
- Só vamos logo com isso, preciso ensaiar.
Violet respira fundo, arqueia as sobrancelhas e faz um sinal para o câmera começar a gravar.
- Muito bem, eu sou Violet Dyxon e hoje estamos em uma entrevista muito especial nesse esquenta para o Rock Night in Toronto de amanhã! - Apresenta a moça, sorrindo para as câmeras antes de se virar para seu entrevistado. - Nosso convidado não é ninguém mais, ninguém menos que Mr. Corey Taylor.
Corey faz um aceno com a cabeça.
- Corey, como está sua expectativa para o grande evento de amanhã?
- Ah, normal. É sempre bom me conectar com as pessoas que apreciam a minha arte, e amanhã é só mais um dia desses.
- E com um line-up tão estrelado, o senhor espera interagir com alguns dos artistas que também se apresentarão lá?
- Honestamente, não. Cada um ali trabalha de um jeito, o meu jeito de trabalhar é muito específico também. Que eles fiquem na deles, e eu na minha.
- Um método bem individualista, com certeza. E tal método foi criticado recentemente por alguns músicas, como Robert Butcher...
- A senhora vai me desculpar. - Interrompe o vocalista. - Estou pouco me fodendo para o que esse trouxa fala.
Violet fecha o seu semblante, e com os olhos força Corey a seguir falando.
- Com todo o respeito que alguém pode ter por aqueles filhos da puta, porque eu não tenho, quem diabos é Robert Butcher? O cara é só um assistente de T.I. que brinca com as baquetas como se fosse um pirralho de 8 anos.
- É, mas lembra o que eu disse sobre gentileza? Respeito também é gratuito.
- Enfia o respeito no cu. "Underdrawing for Three Forms of Unhappiness At the State of Existence" - Zomba Corey, afinando a voz.
- Ok, encerrarei a entrevista aqui. Não sou paga para isso. - Afirma Violet, levantando-se da cadeira.
- Excelente. - Responde Corey num pulo, seguido de uma corrida a passos largos para fora do estúdio.
Violet segue seu caminho para fora do estúdio, sacando seu maço de cigarros de sua bolsa. A sede da emissora onde trabalhava fica rente a uma avenida muito movimentada, onde do lado oposto há uma praça planejada pela própria. Seguramente a segunda casa dela, também conhecida como o local que menos a fere.
A caminhada em meio as árvores segue cada dia mais pesada. Diferente da primeira vez, hoje Violet não possuía risadas, expectativas de um futuro iluminado, ou um buquê de flores em sua mão, presente de seu namorado. Hoje havia apenas uma sensação ameaçadora, de vários incômodos se acumulando em uma bola de neve, pronta para destruir o que estiver ladeira abaixo. Em sua mão, um maço de cigarros, um vício que vem adquirindo graças, e por culpa, a Lewi.
A brisa de um dia mais fresco bate em seu rosto, ao ponto em que Dyxon encontra o seu acento diário, uma velha cadeira larga de madeira. Ela se senta e acende um cigarro, enquanto torce pra que a nicotina tranquilize a sua angústia.
Passam-se minutos, mas sua mente está tão entregue ao tempo que sua existência é irrelevante. O cigarro se acaba, e a última baforada de fumaça sai de seu pulmão com carinho, como se o vício fosse a coisa que menos queria lhe ferir no momento. Um estágio reflexivo tão grande, que é como se Violet estivesse num transe hipnótico, que só é quebrado quando seu celular começa a tocar.
Na tela de seu aparelho o nome de Lewi aparece, e Violet decide então deixar tocando. O barulho irritante do alarme não é tão danoso quanto o que poderia sair de uma conversa com seu namorado. Após um tempo, o som cessa. Neste momento, ela pega o celular novamente e faz uma ligação.
- Sam, ele está me ligando.
- Você quer atender ele?
- Eu preciso.
- Não, vocês não moram juntos. Você precisa falar com ele quando puder, não agora. - Responde Sam num tom tranquilo. - Agora, para de palhaçada, você nunca liga pra falar sobre o LeBlanc.
Violet espera alguns segundos pra se recompor.
- Eu vou atrás do Graham.
- Como assim? - Pergunta Sam intrigado.
- Eu não compro essa história de que o assassino revelou exclusivamente pra ele a locação dos corpos.
- Pelo amor de Deus, Violet! - Exclama Ditch. - Eu sei que você não gosta do cara, mas essa é uma acusação muito séria!
- Não estou acusando ninguém, estou abrindo uma investigação sobre o caso.
- Você e quem? Porque eu não vou entrar nessa.
Violet desliga a chamada sem hesitar. Sabendo que receberia uma ligação de volta de Sam, ou até de Lewi, já desliga o celular para evitar potenciais estresses. Cercada das árvores e do canto dos pássaros ela permanece, perdida entre suas próprias angústias.
Uma manhã mais quente do que a anterior, é o dia do Rock Night in Toronto. Violet adentra seu escritório com os ombros caídos, e o cabelo bagunçado. Vestindo roupas casuais, ela puxa de sua gaveta os documentos que estava analisando no dia anterior, e volta a folhear os papéis. Contratos, impressões de cláusulas, documentos das vítimas dos assassinatos em massa. Pontos que precisavam ser ligados, mas não tinham conexões consistentes entre si.
Enquanto analisava os papéis, um bater a sua porta lhe chama a atenção. Todas as pessoas se sentem confortáveis a ponto de adentrar sua sala sem cerimônias, porém ainda há alguém que bate a porta. Violet para e pensa por uns segundos, e decide guardar os papéis antes de convidar a pessoa a entrar.
- Pode entrar.
A porta se abre e Violet se assusta com a imagem. Erick Graham adentra a sala, trajando seu tradicional terno azul e sua gravata preta. Ele, um homem mais maduro, vai perdendo a precoce luta para os cabelos brancos. Com um gesto, pede para se sentar no sofá, licença essa que é concedida pela moça. Após se fazer confortável, o homem se põe a falar.
- Tudo bem com a senhorita?
- Temo não ser educado mentir. Não. - Responde Violet num tom seco.
- Compreendo, mas acho que possuo boas notícias pra senhora.
Violet arqueia as sobrancelhas.
- Sei da sua alta expectativa para cobrir o Rock Night in Toronto, e aconteceu um imprevisto que me impedirá de fazer tal. - Explica Graham. - Já falei com Rigal, ele deu o ok para você retornar ao posto.
- Imprevisto? Que imprevisto?
- Meu médico recomendou uma consulta de urgência, não conseguirei atender o evento.
- Consulta de urgência? - Indaga Violet curiosa. - Está tudo bem com o senhor?
- Está, está. Quer dizer, espero que esteja. É isso que vou ver hoje.
- Ok então, agradeço a sua atenção.
- Sem problemas. Você é uma profissional muito talentosa, não pode ficar relegada a fazer merchandising para aquela série bizarra.
Violet balança a cabeça, agradecendo a espécie de elogio que Graham acaba de proferir à ela. Erick então acena, e sai da sala, deixando a moça intrigada. Ela então retira os documentos e volta a analisá-los.
Após mais alguns minutos, a porta se abre, interrompendo a mulher mais uma vez. Dessa vez um homem loiro, esbelto, muito bem trajado aparece e sem hesitar se aproxima da mesa. Violet toma um susto com a sua aparição, enquanto a figura abre um sorriso.
- Bom dia amor, quanto tempo.
Lewi LeBlanc era uma figura intrigante. Um rapaz muito bonito, que exala um ar confiante intangível. Ao mesmo tempo que sua presença repentina, seu sorriso inocente, ou seu olhar consternado suaviza o clima da sala, ameniza a angústia de Violet, seu perfume caro intoxica os pensamentos da moça. O homem se agacha perto da cadeira, e a vira para ficar frente-a-frente com sua namorada.
- Bom dia. - Responde Violet após segundos de hesitação. - Como você está?
- Venho apreensivo. O amor da minha vida vem me evitando há uma semana. - Retruca Lewi com um sorriso irônico.
- Quem diria que você chegaria no ponto onde até seus negócios te ignoram...
Lewi solta um pequeno riso, antes de roubar um beijo de Violet. Sem perder tempo, o homem a puxa da carreira, e sem soltar a leva até o sofá, sem precisar impor força, a moça não resiste em momento algum. Já sentados, mais próximos do que em qualquer outro momento das últimas semanas, LeBlanc tira o cabelo que caíra no rosto de Dyxon, antes de continuar a falar.
- Foi algo que eu falei?
- São coisas que você vem falando. - Responde a moça, procurando alguma coisa nos olhos de LeBlanc que o homem não consegue discernir. - São coisas que você vem fazendo.
- Desculpe-me, você tem razão. Eu venho muito estressado, os últimos negócios não me parecem promissores.
- A minha vida não me parece nada promissora neste momento, e mesmo assim não desconto em você.
- Eu tô com medo! OK?! - Exalta Lewi. - Eu lutei para construir tudo isso para nós, e agora eu posso perder tudo! Não é só dinheiro Violet, é a nossa vida!
- Quando a gente se conheceu você era muito mais rico. Você me fez muito mais rica do que hoje. Nossos momentos eram muito mais valiosos.
- E é por causa desses momentos que eu estou aqui! Você é a mulher da minha vida, Violet! Por favor, volta pra casa. - Pede Lewi, puxando as mãos da moça para si.
- Eu preciso de tempo.
- Ok. - Responde LeBlanc, puxando as mãos de Violet para um beijo. - Eu entendo. De verdade. Mas, por favor aceita meu outro convite então.
- Qual convite?
- Sam me contou que você não vai mais cobrir a Rock Night in Toronto. Vem comigo então apreciar o evento como uma fã.
Violet solta um riso desconsertado.
- O Erick acabou de sair daqui... Ele teve um imprevisto e eu vou voltar a cobrir o evento.
Lewi não gosta do que acabara de ouvir, mas tenta disfarçar reforçando o sorriso.
- Isso não vai ser um problema. Eu posso te levar, aproveitar os momentos de descanso contigo e depois a gente sai pra comer alguma coisa.
- Acho que não é necessário. De verdade.
- Que horas eu te pego?
Violet hesita.
- Quatro e meia. - Responde a moça, sabendo que não conseguiria despistar Lewi dessa vez.
Lewi rouba outro beijo, e se levanta do sofá. Após ajustar os amassados de suas roupas, deixa a sala sem cerimônias, olhando para seu relógio de ouro. Assim que seu namorado atravessa a porta, Violet sente a temperatura da sala decair bruscamente, e esse frio repentino começa a tocar seus ossos. Sua pele se arrepia, enquanto um gosto amargo toma conta de sua garganta.
Violet se levanta do sofá, ainda desconsertada com a visita de seu namorado, e volta para a mesa, dessa vez com a intenção de guardar os documentos de sua investigação sobre os Deveraux. Retira o espelho de sua bolsa, e retoca a maquiagem antes de sair da sala.
- Graham, Lewi... Qual será a próxima figura que Deus vai jogar na minha frente hoje?
Violet tranca a porta de sua sala, quando avista um homem loiro, alto, já mais velho se aproximando com um largo sorriso bobo no rosto. Ela o reconhece imediatamente, e tenta se esconder em vão, enquanto a figura continua o caminho em sua direção. Perto o suficiente, ele acena com uma fala em alto tom.
- Alguém me diz se essa não é a carinha que fez o comercial de minha série um sucesso?! - Exclama Tommy Cornell.
- Por favor, mais baixo. - Diz Violet, envergonhada, pedindo desculpas com o olhar para os funcionários que passavam pelo corredor no momento.
- Desculpe-me. Estou há um tempo querendo falar com você, mas as gravações estão tomando bastante do meu tempo.
- Imagino... - Ironiza Dyxon.
- Adorei o seu comercial!
- Pois eu odiei! Nunca mais assisto nada que tenha relação com zumbis. - Retruca a moça, ainda bastante incomodada com o tópico.
- Ah não! Não diga isso! Eu vim lhe convidar para fazer parte do elenco da Segunda Temporada!
Violet fica boquiaberta com a ideia. Mais com a notícia que "The Undead" receberá uma segunda temporada, do que com a audácia de Cornell de a convidá-la.
- Eu já pensei na personagem, mas se você quiser, pode dar suas ideias e a gente trabalha em conjunto. - Continua o homem.
- Olha... Eu não quero ser ríspida contigo, ou mal educada... Eu só não quero. Acho patética a sua ideia de escrever essa série, ainda mais sendo um enxugado de plágios.
Pela primeira vez, Violet observa o semblante de Tommy se fechar, seu sorriso desaparecer por alguns segundos. A animação em sua aura dá lugar a uma clara incompreensão da reação da moça, que deixa Dyxon com um nó na garganta, um arrependimento de ter despejado suas opiniões sem uma consideração maior pelo homem.
- Ok. A melhor forma de combater a alegria é com o rancor. - Responde Cornell. - Eu já vi muito disso na indústria onde eu trabalhei.
- Olha, desculpe...
- Não, não se preocupe. - Diz Tommy, estendendo a mão até o ombro da moça. - Outra coisa que os ringues me ensinaram é que você não responde algo mau com algo mau. Eu te entendo, só peço para que você me entenda.
Violet concorda com a cabeça, ainda relutando com o arrependimento de ter sido grossa com o homem.
- Semana que vem... O que acha da gente almoçar? Você expõe o seu lado, eu exponho o meu. O diálogo é sempre a melhor ponte. - Continua Cornell
- Concordo, e aceito o convite para o almoço. Desculpe-me novamente por ter sido indelicada contigo.
- Fique tranquila, já vi, ouvi e falei coisas muito piores.
Tommy estende a mão para Violet e ela a aperta, e os dois se despedem com sorrisos.
O Sol canadense, antes de se despedir, agride levemente o que toca. Numa estrada movimentada, um Mazda Atenza de 2009, na cor preta, faz o seu caminho num ritmo pouco acelerado. Dentro do carro, Lewi, impecavelmente trajado, dirige com um sorriso no rosto, sem qualquer pressa de chegar ao destino. Ao seu lado, Violet parecia uma pessoa completamente diferente da que combateu a manhã. Vestida com um top aberto preto, em formato de rede, revelando sua pele e o bralette preto que usava, sob uma jaqueta de couro que pertencia a seu namorado, junto com uma calça jeans. Seus cabelos estavam presos em dois coques, e a maquiagem não estava tão forte quanto em outras ocasiões, mas era reforçada por um forte batom preto.
Violet se olhava no espelho, enquanto Lewi solta uma das mãos do volante para dar um tapa no cabelo. Embora o rapaz esteja aproveitando o momento, o silêncio dentro do carro contrasta com o calor que sentiram no escritório, ou mesmo com o Sol que ilumina o veículo.
- Eu vi a entrevista que você tentou ter com o Corey Taylor. - Diz LeBlanc, tentando quebrar o gelo.
- É, o ídolo é tão patético quanto o fã. - Ironiza Violet.
Lewi ri, enquanto faz uma curva acentuada, saindo da auto estrada.
- Alguma notícia dos seus pais? - Pergunta a moça.
- Minha mãe tá bem. Tá brigando pra que eu deixe ela abrir a confeitaria dela.
- Típico. - Ri Violet. - E teu pai?
- Ele estava com umas dores estranhas, foi fazer um exame hoje.
- Exame? Onde?
- Ah, numa clínica aí. Se não me engano, o nome do médico era Mark Nalon, algo assim.
- Mark Nalon? Esse é o médico do Erick Graham?
- E como você sabe disso? - Questiona Lewi.
- Eu sempre descubro. É minha profissão.
- Como que ainda não descobriu o quanto eu te amo? - Brinca o rapaz.
- Tenho medo de já ter descoberto, e a resposta for diferente do que você imagina.
LeBlanc engole seco, enquanto os dois voltam a se silenciar, reerguendo a barreira entre os dois.
Após alguns minutos, o casal chega no local onde ocorrerá o Rock Night in Toronto. O estacionamento dos visitantes já estava cheio, e as multidões desfrutavam de um mundo sem pandemia para aglomerar sem peso na consciência. Um enxame de seres humanos tomava conta da vista dos helicópteros que por ali passavam, enquanto Lewi estaciona seu carro numa área destinada a membros da imprensa, vide licença de Violet.
Os dois descem do carro, e se olham por uns momentos, com o automóvel servindo de muro. LeBlanc puxa um maço de cigarros do seu bolso com um sorriso malicioso, mas recebe como resposta um olhar desconfortável de sua namorada.
- Eu vou fumar um ou dois antes de entrar. E você?
- Eu preciso lutar contra este vício enquanto é tempo. - Responde Violet. - Vou aproveitar e já colher algumas entrevistas antes dos shows.
- Já te vejo então. - Diz Lewi, virando-se e saindo em direção de um canto isolado para poder fumar.
Violet segue em direção a uma área reservada, onde funcionaria uma sessão de autógrafos que alguns artistas venderam em preparação ao evento. Era um grande salão de paredes brancas, que futuramente serviria como quadra de uma escola que começaria a ser construída após o evento. Alguns artistas reconhecidos já cumprimentavam suas filas de fãs. Em meio aos flashes de diversas fotos tiradas em diversos lugares, Violet avista uma única fã em frente a um estande vazio.
- Mas que porra é essa?
A moça era branca, loira, um pouco menor que Violet, trajava roupas comuns e não conseguia parar de tocar seus óculos, como se eles estivessem desconfortáveis, e ela não conseguisse arrumar. Dyxon se aproxima e estende a mão em cumprimento, o qual a jovem aceita de forma tímida.
- Boa noite, a senhora está esperando quem? - Pergunta Violet.
- Boa noite. Esse aqui era o ponto onde Corey Taylor daria autógrafos, mas ele ainda não apareceu. - Responde a jovem.
- Ah, mil desculpas pela minha falta de educação. - Diz Dyxon pressionando os lábios. - Meu nome é Violet Dyxon, e o seu?
- Sim, eu sei. Você é a repórter daquela confusão com Corey. Meu nome é Hannah LeNov.
Violet leva a mão ao rosto, envergonhada, temendo uma represália de Hannah.
- Não se preocupe, você não teve culpa. Corey é um homem de um temperamento muito questionável.
- É, podemos dizer isso... - Diz Violet com um sorriso envergonhado. - E você queria um autógrafo dele?
- Sim. Eu diferencio a obra do artista. Passei por um quadro de depressão muito severo, e junto com minhas "nerdices", suas músicas foram o meu porto seguro.
- Fico feliz em ouvir isso. Você hoje já superou esse quadro?
- Ah, eu já aceitei que esse mal em minha vida é crônico. É viver com isso agora. - Diz a garota desfazendo seu sorriso.
- Então, que tal falarmos de coisas boas? - Pergunta Violet. - Qual o seu verso favorito das letras de Corey Taylor?
- Eu gosto daquele "O dinheiro é ótimo e tudo isso, mas não é nada demais para uma grande decepção.".
- Eu também adoro esse. - Interrompe Lewi, dando um abraço em Violet.
- Quanta ironia você gostar justo desse verso, não? - Provoca Dyxon.
- Eu sou um homem muito irônico.
- Ok... - Diz Violet revirando os olhos, antes de apresenta-los. - Esta moça é Hannah LeNov, estávamos conversando sobre Corey Taylor. E este aqui é...
- Lewi LeBlanc, o namorado desta beldade aqui! - Interrompe Lewi.
- Ohh, como vocês são fofos. - Diz Hannah abrindo um sorriso caloroso.
- Não se deixe enganar, ele só está assim porque passou o último mês sendo um cuzão e quer me reconquistar.
- Pra quem te conquistou dezenas de vezes, uma mais é fácil. - Brinca Lewi.
- Ok gente, eu acho que o Corey não vai aparecer, e eu não quero fazer papel de vela aqui. Eu vou atender o show mesmo, que é o melhor que eu faço. - Diz Hannah, despedindo-se dos dois.
- Não, espera aí. Tu não é fã do Corey Taylor? - Intervém LeBlanc.
- Sou.
- Por que a gente não faz uma visita pro Taylor no camarim?
- Nós podemos? - Pergunta a garota interessada na ideia.
- Minha namorada aqui descola o mundo.
- Eu devo ter xingado Deus no momento em que te conheci, ô praga. - Reclama Violet.
Passam-se minutos, e os três caminham pelos bastidores em busca do camarim de Corey Taylor. A cada esquina dobrada, uma sensação incômoda começa a interferir nos passos dos três, causando alguns tropeços. A cada esquina dobrada, menos pessoas aparecem nos corredores, causando um nervosismo crescente no coração de cada um. A cada esquina dobrada, um calor tão forte que gela os ossos e peles dos três.
- O Corey é tão insuportável a ponto de ninguém querer ficar perto do camarim dele? - Ironiza Lewi.
- Torço pra que seja. - Responde Violet.
Ao dobrar mais uma esquina, eles avistam uma porta com um cartaz de Taylor, o que chama a atenção dos dois fãs ali presentes. A atenção de Violet, por sua vez, é levada a um vulto passando no fim do corredor, apressado. Não havia como reconhecer nada da imagem, apenas um terno azul. Sem perceber, Dyxon começa a caminhar em direção do vulto, como se houvesse sido enfeitiçada, e só acorda para a realidade quando seu namorado a puxa pelo braço.
- O camarim está aqui amor. Aonde você está indo?
- Eu não sei, achei que vi algo. - Responde Dyxon, bastante confusa.
- Quem quer fazer as honras? - Pergunta Hannah.
- Você é nossa convidada de honra, pode abrir. - Afirma Lewi.
Hannah responde com um sorriso o gesto de Lewi, assim como sua namorada. Pela primeira vez nos últimos meses, Violet avistara o antigo LeBlanc, um homem humilde e amável, falando, tomando uma atitude, não o atual LeBlanc, um homem guiado pela gana incessante de conseguir mais e mais dinheiro. De um homem mesquinho, que aproveita cada oportunidade para se crescer por sempre conseguir mais e mais dinheiro.
LeNov abre a porta, e neste momento o sonho de conhecer o seu ídolo se transforma no início do maior pesadelo de suas vidas. O chão estava tomado por sangue, com os móveis revirados e as paredes completamente sujas. Uma figura gigantesca espancava um homem caído no chão, ao lado do corpo já morto de Corey. O cadáver do cantor possuía um grande buraco logo abaixo de sua jugular, onde mais sangue jorrava e jorrava. Os três arregalam os olhos com o susto, e Hannah não consegue evitar o grito.
A figura se vira para eles. Um homem com mais de dois metros de altura, com uma blusa de manga comprida cobrindo seus músculos avantajados e um pano vermelho enrolado na cabeça, com apenas dois furos nos olhos, escondendo teu rosto. O homem pega a faca que havia sido fincada na barriga do segundo homem, e parte pra cima dos três.
Lewi pula na frente das moças com um soco na figura, enquanto Violet agarra Hannah e corre para um lugar dali. LeBlanc tenta dar mais um soco, mas é agarrado pelo braço do golpe, e arremessado com força na parede oposta, caindo do lado do corpo do segundo homem, finalmente o reconhecendo: Robert Butcher. O monstro se aproxima do investidor, mas, ao perceber que as moças fugiram, opta por também dar o fora do local, deixando os três corpos caídos no camarim.
Horas se passam, e o local do evento já está totalmente vazio. Carros de polícia e ambulâncias fazem seu trabalho, enquanto Violet e Hannah conversam com oficiais sobre o que aconteceu, quando um policial mais velho se aproxima.
- Boa noite, eu sou o oficial Roger Bridges, espero que vocês já estejam melhor depois do susto que tomaram.
- Agradeço, oficial. - Responde Violet.
O oficial usava um chapéu da corporação, mas é nítido que já sofreu com a perda de cabelos. Sua barba grisalha e sua cara rechonchuda são os aspectos mais fortes de sua desgastada aparência. Ele aperta as mãos de Violet e Hannah em cumprimento.
- Infelizmente, Robert Butcher não sobreviveu ao ataque, já estamos ligando para os familiares.
Hannah esconde o rosto com as mãos, enquanto Violet não quebra o contato visual com o policial.
- E o Lewi? - Pergunta Violet.
- Senhor LeBlanc passa bem. Pelo depoimento dele, a figura poupou qualquer ataque mais sério, com medo de perder tempo e ser pega.
- Não fale figura, é um homem. - Retruca a moça. - Um homem entrou naquele camarim para matar os dois, e assim o fez!
- Sem exaltações, sabemos disso. Mas, tudo o que podemos fazer é traçar uma busca com base das informações que vocês passaram.
- Tudo o que podem fazer? E quanto a nós? - Questiona Hannah, ainda bastante assustada.
- Mandaremos uma equipe ficar de olho em vocês nos próximos dias, pelo menos até que encontremos o assassino.
- Grata. - Ironiza Violet.
- Mais alguma informação que vocês possam nos prover? Qualquer coisa já seria muito útil.
- Eu preciso ir para casa, preciso me recompor. Quando eu alinhar meus pensamentos, serei mais útil para a investigação. É uma promessa. - Afirma Violet.
- Agradeço. - Responde Roger, fazendo um aceno com o chapéu, enquanto deixa as duas moças.
- Será mais útil para a investigação? - Questiona Hannah. - Como assim, Violet?
- É, como assim Violet? - Interrompe Lewi, aparecendo de surpresa atrás das duas.
- Eu acho que vi o Graham naquele corredor. - Responde Dyxon.
- Graham... - Lewi para um minuto para juntar os pontos. - Violet, esqueça. Essa história é perigosa demais, deixe a polícia trabalhar!
- Não posso, eu tenho coisas que a polícia não tem.
- É só dar essas informações pra polícia, caralho! - Reclama LeBlanc, exaltando-se.
- Eu vou fazer o que acho que devo fazer, e o próximo passo é fazer uma visita ao Dr. Mark Nalon...
---------------------------------------
Muito bem minha gente, essa foi a primeira metade de Death Toll: The Eyes Behind the Camera. Antes de encerrar a postagem, preciso deixar algumas coisas bem claras.
PRIMEIRO: The Eyes Behind the Camera, caso não tenham entendido, é como o início da história de Erick Graham, um dos vilões vistos naquela temporada de 2016. Essa história por si só, é a primeira de uma trilogia, na qual irei (iremos) trabalhar daqui pra frente. Após o término dessa trilogia, haverá uma história não relacionada ao "Universo Death Toll" pra gente brincar.
SEGUNDO: Você se inscreveu e seu personagem não apareceu nesta postagem, o que fazer? Ficar tranquilo. Porque o seu personagem irá aparecer na segunda metade.
TERCEIRO: Por que diabos uma personagem "NPC" é a protagonista? Porque essa dinâmica abre muito espaço pra viagem, e eu precisava de um fio condutor que unisse todos os personagens inscritos nesse roteiro. Além do mais, Violet já era uma personagem fundamental na história de Death Toll que eu tinha, juntei o útil ao agradável.
QUARTO: Você criou seu personagem, e algum detalhe do background dele na história está diferente do que você escreveu. Isso só ocorrerá no caso do Cornell, que eu vou reverter a piada da inscrição em outra coisa. De resto, tudo o que foi escrito nas inscrições é "canônico". Divergências só irão aparecer caso você possua elementos do background do seu personagem que não colocou na inscrição. Estou trabalhando com o que tenho, e exploro as possíveis oportunidades de roteiro que surgirem.
QUINTO: Preciso comentar neste post pro meu personagem não morrer? Não. Sinta-se confortável para comentar apenas se quiser adicionar algo ao background do seu personagem. Eu já decidi quem vai morrer e quem sobreviverá a essa história.
SEXTO: Feedback é bom, positivo ou negativo. Apenas com uma ideia do que vocês, leitores possuem do desenrolar dessa história que eu consigo evoluir, consertar alguma coisa que não flui tão bem, ou manter algo que foi consistente.
SÉTIMO: Não tenho certeza de quando a segunda metade irá ser postada, mas, espero que em breve. No máximo, até o próximo fim de semana, entre os dias 19/02 e 21/02.
OITAVO: Não há como inscrever novos personagens em The Eyes Behind the Camera. Ao término dessa história, abro as inscrições para a próxima, onde aí sim qualquer um pode inscrever o personagem que quiser.
É só entender que eu também vou trabalhar seu personagem da maneira que achar mais devido.
Qualquer dúvida, mandem-me. Aristocraldo é um ser aberto às questões, é só ler o Cantinho do Mistério pra perceber isso.
Grato pela atenção, e espero que tenham desfrutado da leitura, da história e dos personagens.
Jo Soy Aristocraldo, e esta é a história.

Irresponsável... Bla Bla Bla! Me desce mais um Gin barman! To cansado e a noite está só começando!
ResponderExcluirMARK!
Você de novo ? Achei que as sessões com a psicóloga estavam funcionando... Preciso pegar meu dinheiro de volta... Mas antes... PUTEIRO !
IMBECIL
Mal humor... assim que você, renomada voz aleatória na minha cabeça, beber um corote e se colocar em um ambiente recatado, como o bom e velho sexy hot da esquina, seu humor melhora haha
Amanhã prometo voltar na Senhora Psicóloga pra te colocar pra ninar, ou, se você se comportar, pegar meu dinheiro de volta... mas hoje... ahhh... hoje viveremos como os tais irresponsáveis que somos taxados...
Opa, desce outro drink, meu nobre !
Dr. Mark Nalon
OBS: Excelente show Ari! Já aguardo a parte 2!
Excluir